Prefácio

Depois de muito adiar chegou a altura de criar o meu primeiro blog.

Não será um blog pessoal. Este primeiro post será uma excepção. A minha intenção é partilhar, com quem fizer o favor de ler, alguns dos pensamentos, teorias ou opiniões acerca da área profissional onde estou envolvido, a indústria do desenvolvimento de software empresarial.

Já levo quase 18 anos nesta indústria.

Comecei cedo. Ainda ia a meio o 3º ano do curso de Matemáticas Aplicadas e eu já começava a trabalhar nas lojas da Triudus. Entre outras coisas, vendia computadores Amstrad 1512 e 1640. A época forte dos ZX Spectrum já tinha passado e a grande explosão dos computadores pessoais tinha acabado de começar.

Não era o emprego ideal, mas era o primeiro emprego  na área das tecnologias de informação que, desde os 15 anos e uma célebre aula de introdução à álgebra booleana, tinha decidido ser esta, a área onde trabalharia o resto da minha vida.

Durou tão pouco tempo a experiencia na Triudus que nem a incluo no currículo. Foi relevante para a minha formação como pessoa – foi aqui que me foram apresentadas as primeiras regras sociais e comportamentais do mundo empresarial – mas irrelevante do ponto de vista técnico.

Não tinham passado ainda 4 semanas e já era chamado para uma entrevista na Inforgal – para quem não conhece o nome, a Inforgal era a maior empresa portuguesa de informática na altura. Foi a primeira empresa de TI em Portugal a ter anúncios a computadores e serviços na televisão, foi a primeira empresa de TI a entrar na bolsa de valores de Lisboa, foi também a primeira grande empresa a cair quando a concorrência e as margens do sector apertaram – .No dia seguinte já estava a aceitar a proposta da Inforgal e, exactamente um dia antes de receber o meu primeiro ordenado – oh! santa ingenuidade –  estava a falar com um dos donos da Triudus, a D. Lurdes.
A conversa foi difícil. A D. Lurdes tinha a fama de ter mau feitio e eu não fui uma excepção. Eu tinha criado empatia com algumas pessoas, entre as quais, a responsável dos recursos humanos à qual tinha comunicado em primeira-mão, a minha decisão de sair. Sabia, dito por ela, que o meu trabalho estava a ser muito apreciado. Foi então, muito mal disposta que a D. Lurdes falou comigo. Explicou-me que aquilo que eu estava a fazer não era comportamento que se tinha com uma empresa, que a empresa tinha planos para mim, que a empresa tinha investido em mim e que, se eu saísse não me iria pagar nada pelo trabalho realizado nesse mês. Era o preço que eu tinha que pagar. Pois que fosse. Eu expliquei-lhe que iria trabalhar em programação, que era o meu sonho, ainda por cima numa grande empresa e que, apesar de o trabalho ter sido uma boa experiência, a minha carreira, pelo menos nesse momento, não passava por vender computadores. Eu queria desenvolver software. E assim, lá se foi o meu primeiro ordenado.

Foi pois na Inforgal que iniciei, a sério, a minha profissão de programador de software.
A partir daqui foi um percurso com altos e baixos, felizmente com mais altos que baixos. Adquiri muita experiência, quer do ponto de vista estritamente técnico – conheço poucas pessoas que começaram na mesma altura que eu e que, ainda hoje se mantêm 100% actualizadas e na crista da onda. Quase todas elas em algum ponto do seu percurso, enveredaram por uma carreira de gestão ou comercial e gradualmente foram perdendo o contacto com os desenvolvimentos da engenharia de software – quer do ponto de vista de relações humanas e gestão de equipas. Adquiri também um know-how importante em vários tipos de negócio -banca, retalho, automóvel, media- , fruto das dezenas de projectos que realizei em Portugal e no estrangeiro.

É esta experiência que me dá, se calhar com alguma falta de humildade, o direito de pensar que existirá alguém interessado em saber aquilo que penso, as práticas que defendo, as teorias e o software que desenvolvo. O objectivo é o de sempre. Contribuir para o desenvolvimento e o sucesso dos projectos de engenharia de software. Para mim, não existe melhor recompensa do que um utilizador agradecido, que diz, com sorriso na face que hoje é um melhor profissional, ou que, a sua empresa melhorou em algum aspecto, graças ao software que foi pensado e/ou desenvolvido por nós, os programadores e arquitectos de software.

PS. Este blog será preferencialmente escrito em Português, a minha lingua mãe. Pontualmente poderei escrever alguns artigos técnicos em inglês, caso o conteúdo justifique.

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5 Respostas

  1. Formiga ? Não eras tu que trabalhastes na Dimecro, antes de eu ter ido para lá ?

  2. Não. Nunca trabalhei na Dimecro

  3. Boas … Acho que ainda me lembro de ti, oculos redondos, eu era o Ze Mendes, estava mais na SISTIN/DISQUIMFOR com o Luis Moniz. Pelos vistos ainda continuas no activio, bem vindo ao clube. Um abraço, lembrei-me da Isabel (R. humanos). Foram boms tempos.

  4. Olá José Mendes. Sim, era eu. Na altura usava óculos, redondos, como descreves. 🙂

  5. meu caro amigo.

    como te vejo muito pouco assim consigo estar contigo. vou usar estas coisas mais

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