Uma lufada de ar fresco na arquitectura dos ERPs?

Hoje deparei-me com este post do Nicholas Carr. Chama a atenção para a WorkDay, nova empresa de Dave Duffield , antigo CEO da Peoplesoft.

A WorkDay promete revolucionar o mercado dos ERP’s. Diz mesmo que os ERP’s tal como nós os conhecemos têm os dias contados. Movido pela curiosidade, fui ver melhor.

Li praticamente toda a informação que a WorkDay tem disponível no site. Só nos papers encontrei alguma da informação – mesmo assim muito pouca – que procurava.

As impressões que retive:

  • A equipa inicial é formada, quase na totalidade por ex-quadros séniores da PeopleSoft que, por alguma razão não quiseram fazer parte da Oracle após esta ter comprado a PeopleSoft. Estavam, estão, numa posição invejável para inovar: têm o Know-How ; têm credibilidade no mercado; estão livre de compromissos com clientes e com tecnologias com mais de 20 anos; conhecem o mercado como ninguém e por último, mas não menos importante, também devem ter muito capital para investir.
  • É claro para eles que a forma de representação da informação é pure object oriented. Na plataforma deles não existe espaço para a transformação entre o modelo object oriented e o modelo relacional. Comungo completamente desta visão.
  • De raíz o sistema está desenhado para separar completamente os objectos, que contêm as regras e os dados, da sua representação visual. Eu não podia estar mais de acordo. Hoje em dia, com a proliferação de dispositivos móveis, fixos, grandes, pequenos, para acesso à informação -parece que a era do ubicomp está finalmente aí; para saber mais, vai ocorrer esta conferência sobre o assunto que parece interessante- não faz sentido existir dependências entra as regras de apresentação dos objectos e as regras inerentes a esses mesmo objectos ou vice-versa. Isto parece muito óbvio nos dias que correm mas, ainda é muito raro encontrar uma aplicação em que esta separação seja completa e pura.
  • O sistema assenta num modelo de programação declarativa. É claramente uma tendência irreversível.
  • O modelo de comercialização assenta numa arquitectura SaaS. Outra tendência irreversível.
  • Existe ainda uma característica para a qual eles chamam a atenção e que promete dotar o sistema de um desempenho impar: a base de dados reside toda (?) em memória. Estranho, então e se a máquina for desligada? Fui pesquisar melhor e verifiquei que eles usam uma base dados MySQL, com apenas 3 tabelas onde, presumo eu, guardam a meta informação e os dados num formato tipo XML ou parecido – o XML ocupa muito espaço -, para fazerem fisicamente a persistência dos dados. Aqui já tenho algumas dúvidas. Não sei se não estarão a reinventar a roda. Hoje em dia já existem os solid state disks que podem fazer o mesmo tipo trabalho. A tendência, deste tipo de armazenamento será a sua expansão e consequente baixa de preço. Para mim a solução ideal (1) é uma base de dados Pure Object Oriented com disk SSD.

(1) Não encontrei a explicação para opção que eles fizeram. Se calhar acham que os SSD’s ainda são muito caros ou vão demorar a obter uma larga aceitação, o que é aceitável. Ou então, têm outra justificação qualquer….

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Uma resposta

  1. O que eles se devem estar a referir é a opção do MySQL para correr as tabelas de leitura em memória. A Oracle tem um produto semelhante.
    A tendência cada vez mais é deixar de ter mecanismos de cache (vê o L2 cache do hibernate, por exemplo) externos e ter logo a opção de cache (todos os dados em memória) no próprio motor da BD.

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