Metodologias vs Competência Técnica

Eu sou um adepto incondicional das metodologias e dos processos nos projetos de engenharia de produção de software. Acho que são absolutamente essenciais para garantir que cada elemento saiba o seu papel na equipa, o que se espera dele, e qual o ponto de situação do projeto em qualquer momento. Numa empresa com o profissionalismo da Indra não podia ser de outra forma. Seja em metodologias Agile (a nossa preferida desde há alguns anos), seja em Waterfall.

Mas será que a metodologia é o mais importante neste tipo de projetos?

Não creio. Acredito mesmo que algo vai correr mal quando vejo empresas onde a competência técnica e funcional, reforço, neste tipo de projetos em que se desenvolve a partir de uma folha em branco, é relegada para 2º plano em favor da metodologia. É como se achássemos possível que um  treinador como o José Mourinho, o melhor treinador da atualidade, reconhecido pela excelência dos seus métodos, conseguisse vencer a liga dos campeões com uma equipa mediana do campeonato português. Simplesmente não é possível. Por muito bons que sejam os seus métodos.

Podem dizer que não querem ganhar a liga dos campeões. Só querem fazer um campeonato tranquilo. Eu digo: ok certo, mas se pudessem ter as duas coisas (ou quase) pelo mesmo preço? Isto é, não tinham o José Mourinho mas tinham um técnico credenciado (mas não o José Mourinho) e um  conjunto de jogadores de top ou de elevado potencial. O que preferiam?

Podem pensar que quem pensa desta forma relega a metodologia para 2º plano. Nada mais errado. Também acredito que um conjunto de excelentes técnicos mal orientados terão provavelmente resultados muito pobres. O que me diz a experiência é que temos que procurar sempre um equilíbrio.

Se é verdade que nunca conseguirei fazer um projeto de produção de software com sucesso (na qualidade, no tempo e no preço) que tenha uma complexidade mediana (entre as 5000 e as 10 000 horas de esforço) ou elevada (superior a 10000 horas) com engenheiros inexperientes e/ou com pouca capacidade, também é verdade que a probabilidade de algo correr mal, se não for muito rígido no seguimento dos processos e das metodologias, mesmo com excelentes engenheiros, é muito elevada.